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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Desigual, Brasil assiste a crescimento de mercado de luxo

Paulo Cabral

Da BBC em São Paulo
Atualizado em  2 de fevereiro, 2012 - 09:04 (Brasília) 11:04 GMT

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Uma década atrás, parte da elite brasileira estava tensa e insegura em relação ao futuro com a chegada do ex-operário Luiz Inácio Lula da Silva ao poder. Mas no fim das contas, os ricos ficaram mais ricos.
Foto: Cortesia da TV Bandeirantes
"Quando (o ex-presidente) Lula chegou ao poder, toda a classe alta brasileira ficou muito preocupada. Nós achávamos que ia ser terrível", diz a arquiteta Brunete Fraccaroli, uma das cinco milionárias do reality show Mulheres Ricas, da TV Bandeirantes, que mostra todas as semanas como é a vida dos super ricos, num dos países mais desiguais do mundo.
"Mas o presidente Lula fez um ótimo governo. Os ricos continuaram ricos e os pobres também têm um pouco mais de dinheiro", completa a milionária, que já nasceu rica e adicionou alguns milhões à fortuna da família com seu trabalho como arquiteta e designer de interiores.
Junto com o bom momento econômico também se desenvolve no Brasil o setor de produtos e serviços para atender às necessidades e aos desejos da alta classe.
Uma das faces mais visíveis desse setor está nos céus de São Paulo: a cidade já tem mais de 400 helicópteros privados registrados para atender aos endinheirados que queiram fugir do risco de assaltos e da certeza de congestionamentos.
Reality show da TV brasileira mostra vida de mulheres milionárias em São Paulo
"Nosso negócio vem crescendo a uma média de 10% a 15% ao ano", diz o dono da empresa de táxi aéreo Helimarte, Jorge Bitar.
O empresário explica que novos clientes estão chegando ao setor enquanto os antigos estão voando cada vez mais.
"Estamos até perdendo clientes que começam a voar muito decidem comprar o próprio helicóptero. E pior que alguns ainda acabam levando nossos pilotos, que são profissionais em falta no mercado."

Vista aérea

Uma hora de vôo em São Paulo num helicóptero para três pessoas (além o piloto) custa cerca de R$ 1600, cerca de duas vezes e meia o salário mínimo no Brasil.
É um dos indícios – assim como vista aérea as enormes favelas vizinhas de condomínios de luxo no bairro paulistano do Morumbi - da desigualdade social que ainda é uma das marcas do país, mesmo com a recente melhora nas condições de vida das populações mais pobres.
Nos últimos dez anos, a renda dos 10% mais ricos do Brasil cresceu 20% e 60% num período de 20 anos. Os 10% mais pobres avançaram mais 100% na última década e 160% em vinte anos.
O economista da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) Naércio Menezes diz que os números deixam claro que houve uma redução de desigualdade de renda no país que conseguiu ser ao mesmo tempo recorde e insuficiente.
"O problema é que o Brasil saiu de uma situação tão ruim, de desigualdade tão grande, que mesmo as mudanças significativas dos últimos anos mal tocam a superfície do problema", explica Menezes.
Vista aérea de São Paulo. Foto: BBC
Apesar do crescimento econômico, Brasil ainda é um dos países mais desiguais do mundo
"O Brasil ainda é um dos países mais desiguais do mundo e a mobilidade social é quase inexistente. Para quem nasce pobre é praticamente impossível ficar rico."

Crescimento insuficiente

Um estudo recente da ONG britânica Oxfam revelou que o Brasil segundo país mais socialmente desigual do G20 (grupo das 20 maiores economia do mundo), à frente apenas da África do Sul.
"Devemos elogiar a evolução significativa do Brasil no combate à desigualdade nos últimos dez anos, mas é também importante deixar claro que o país ainda está muito longe da situação ideal", diz o diretor do escritório da Oxfam no Brasil, Simon Ticehurst.
O especialista observa que apenas crescimento econômico não é suficiente para reduzir a pobreza e a desigualdade.
"São essenciais medidas específicas de distribuição da renda. Na África do Sul, por exemplo, a economia está crescendo mas a pobreza está aumentando."
Naércio Menzes diz que a melhora no padrão de vida dos mais pobres também tem um impacto direto e positivo sobre a vida dos ricos.
"Quando os níveis de educação e renda dos pobres melhoram, o benefício se reverte para toda a sociedade através, por exemplo, de aumento na produtividade, queda na criminalidade e desenvolvimento de consciência política e ecológica."

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Transferência de renda tem que ser acompanhada por geração de empregos, diz analista

Paula Adamo Idoeta

Atualizado em  16 de fevereiro, 2012 - 06:31 (Brasília) 08:31 GMT
Foto de arquivo de favela brasileira (BBC)
Para especialista britânica, pobreza vai além de questões de renda
Programas de transferência de renda tiveram um papel crucial na redução da pobreza no Brasil, mas seu efeito é limitado quando não são acompanhados de geração de empregos e de ações em outras frentes, opina Claire Melamed, chefe do projeto de crescimento e igualdade do centro acadêmico britânico Overseas Development Institute (ODI), focado em desenvolvimento e questões humanitárias.
Segundo dados do Censo 2010 do IBGE, 8,5% da população brasileira ainda vive em situação de pobreza extrema, com renda domiciliar per capita de até R$ 70.
Para Melamed, é preciso incentivar a iniciativa privada e o crédito às pequenas empresas - algo que ela considera mais eficiente do que o microcrédito aos indivíduos mais pobres.
Veja a seguir trechos de sua entrevista à BBC Brasil.
BBC Brasil - Apesar de um crescimento econômico significativo com distribuição de renda, o Brasil continua tendo bolsões de pobreza extrema. Por que é tão difícil erradicá-los?
Claire Melamed – A questão da pobreza extrema é que os pobres não são pobres por falta de dinheiro. A falta de dinheiro na verdade é um sintoma de uma série de outras privações econômicas e sociais. Essas barreiras fazem com que seja muito difícil para alguns grupos participar e se beneficiar do crescimento econômico.
BBC Brasil - É um problema que vai além da renda?
Claire Melamed – Certamente. Brasil tem motivos para ter orgulho de sua redução da pobreza e de seus programas de transferência de renda. Mas eles por si só não resolvem a pobreza. A renda é apenas uma parte. Um grande aspecto é a propriedade de terra, a distribuição de terra – algo que permanece desigual no Brasil.
Educação também é chave, e sua (melhoria) deve ir além do nível primário, já que o tipo de emprego sendo gerado hoje no mundo exige alto nível de conhecimento. Além disso, não tem sentido prover educação se não houver empregos no final da cadeia. E há limites para o que o governo pode fazer nessa área – talvez incentivar a iniciativa privada, fornecer crédito, melhorar o ambiente (de negócios).
"O foco(do Brasil) tem sido a transferência de renda, algo extremamente bem-sucedido, mas talvez estejamos vendo os limites dessa estratégia. Algumas pessoas podem ter tido aumento de renda, mas (não estão tendo acesso) a trabalho e serviços"
Claire Melamed, do 'think tank' britânico ODI
BBC Brasil - Apesar de a pobreza ir além da renda, ainda contabilizamos os mais pobres por critérios de renda. Como melhorar essa contagem?
Claire Melamed – É uma briga entre querer prover dados simples e diretos que possam ser usados por autores de políticas públicas e que reflitam a realidade - ainda que de forma imperfeita -, e o desejo de tentar entender o que realmente está acontecendo na vida das pessoas (estudadas), o que é muito mais complexo.
Minha opinião é que os dados de renda têm um papel relativamente correto na descrição da pobreza, ao dar uma noção de quem é pobre ou não. Mas esses dados não explicam a pobreza ou como escapar dela.
BBC Brasil -O programa Brasil sem Miséria, do governo federal, é baseado em três pilares: transferência de renda, ampliação da oferta de serviços públicos e integração dos pobres ao mercado de trabalho. Acha que é a abordagem correta? Como fazê-la funcionar na prática?
Claire Melamed – É uma abordagem sensata, e apenas acrescentaria a ela o incentivo à participação política dos cidadãos. O difícil é como alocar recursos. Poucos governos têm o dinheiro suficiente para atacar esses três pilares.
O foco tem sido a transferência de renda, algo extremamente bem-sucedido, mas talvez estejamos assistindo aos limites dessa estratégia. Algumas pessoas podem ter tido aumento de renda, mas (não estão tendo acesso) a trabalho e serviços.
"Existe uma espécie de suposição de que as pessoas pobres são empreendedoras natas e que tudo o que precisam é de crédito para criar negócios bem-sucedidos. Não sei você, mas eu e muitas pessoas que conheço fizemos a escolha de trabalhar para alguém, em um ambiente muito mais estável e seguro, em vez de ter nossa própria empresa. Por que seria diferente com os mais pobres?"
Ao mesmo tempo, às vezes somos um pouco impacientes. Claro que devemos agir o mais rapidamente possível para tirar as pessoas da pobreza, mas alguns países europeus, por exemplo, levaram centenas de anos para obter um alto padrão de vida e sistemas eficientes de saúde e educação.
BBC Brasil - No Brasil, a geração de emprego foi considerada essencial para reduzir a pobreza. Mas, com a redução do ritmo de crescimento, isso deve desacelerar. É algo preocupante?
Claire Melamed – Sim, é preocupante, e não só no Brasil. Em muitos lugares, em especial na África, vemos o fenômeno do crescimento sem trabalho – países como a Nigéria, que crescem rapidamente, mas geram poucos empregos. Isso ocorre por vários fatores, sendo um deles o fato de o crescimento ser baseado na produção de commodities, que geram muito dinheiro, mas não empregam tanta gente.
No fim das contas, sem empregos, qualquer estratégia contra a pobreza extrema – como transferência de renda, serviços públicos etc – será uma batalha perdida. É um trabalho estável que dá às pessoas renda fixa e confiança no futuro.
BBC Brasil - Em um artigo, a senhora também diz que o microcrédito não basta.
Claire Melamed – Existe uma espécie de suposição de que as pessoas pobres são empreendedoras natas e que tudo o que precisam é de crédito para criar negócios bem-sucedidos. Não sei você, mas eu e muitas pessoas que conheço fizemos a escolha de trabalhar para alguém, em um ambiente muito mais estável e seguro, em vez de ter nossa própria empresa. Por que seria diferente com os mais pobres?
Ao mesmo tempo, precisamos fazer uma distinção entre o microcrédito concedido a uma pessoa e o crédito dado a pequenas empresas, que podem empregar cinco ou dez pessoas e se sair muito bem. Essas empresas são a espinha dorsal de muitos países e, juntas, empregam grandes parcelas da população.
Favela na Nigéria, em foto de arquivo (BBC)
Nigéria é um dos países com 'crescimento sem empregos', diz Claire Melamed
Sendo assim, eu não focaria tanto em emprestar dinheiro para cada pessoa pobre – mas sim em pequenas e médias empresas e como facilitar a vida de quem tem uma boa ideia e quer abrir um pequeno negócio.
BBC Brasil - Em um dos seus artigos, você diz que é importante perguntar aos mais pobres o que eles querem.
Claire Melamed – Infelizmente, poucos governos e doadores têm feito essa pergunta. Por exemplo, algo desejado por pessoas pobres de diversos países é (a criação de) empregos estáveis. Mas países doadores prestam pouca atenção à questão do desemprego. Outro anseio é por uma melhor comunicação com o mundo: melhores estradas, melhor sistema de telefonia, menos isolamento.
Além disso, muitas vezes nossa tendência é associar (o combate à) pobreza à agricultura, porque os mais pobres costumam se concentrar em áreas rurais.
De certa forma, temos que nos concentrar em onde as pessoas estão. Mas também temos que pensar no futuro e nas mudanças em curso no mundo. Talvez uma pessoa pobre na área rural acredite que a solução para sua pobreza esteja em se mudar para a cidade e conseguir um emprego na indústria ou no setor de serviços.
BBC Brasil - Como lidar com isso? Investindo mais nas cidades?
Claire Melamed – Não existe uma solução única - depende de cada país, de o quanto ele tiver para investir. Mas uma questão-chave é gerar empregos.
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domingo, 4 de dezembro de 2011

Mambu: Tecnologia para redução da pobreza.

mambuDando continuidade à série de entrevistas “Mundo das Microfinanças: Uma série de entrevistas com quem entende do assunto”, o blog Gentes Microfinanças traz para seu público a experiência da empresa de softwares alemã Mambu GmbH que vem desenvolvendo um poderoso software de gestão, (MIS para Instituições de Microfinanças) destinado exclusivamente para o gerenciamento de carteira de microfinanças. Nosso entrevistado é o Sr. Julian, Diretor de Vendas e Marketing da Mambu.

GENTES: How do you evaluate the importance of microcredit in the current context and how can it contribute to the development of the human beings?

Julian: Microcredits ensure that people who can’t offer collateral have access to loans. It is maybe the most important tool to help 3 billion people on our planet to get out of poverty. It helps people to regain self-confidence because they get the chance to be responsible for their own wellbeing.

O microcrédito assegura o acesso a empréstimos a pessoas que não têm garantias financeiras. É provavelmente a ferramenta mais importante para ajudar 3 bilhões de pessoas no nosso planeta a sair da pobreza. Ajuda as pessoas a recuperar auto-confiança ao dar-lhes a possibilidade de serem responsáveis pelo seu próprio bem-estar.

GENTES: Why do you believe this?

Julian: I had the chance to personally get in touch with microloan borrowers in many different countries and observe their success stories. The most powerful image, stuck in my head, is the 20 year old Bangladeshi women, getting handed out her first loan in a Grameen Bank Branch, being moved to tears because it was the first time in her life that she was the responsible for the wellbeing of her family.

Eu tive a oportunidade de contatar pessoalmente com mutuários de microcréditos em diferentes países e de observar as suas histórias de sucesso. A imagem mais poderosa que retenho na minha mente é a de uma jovem mulher de 20 anos no Bangladesh a receber o seu primeiro empréstimo numa agência do Banco Grameen. Ela estava com lágrimas nos olhos porque pela primeira vez na sua vida ia ser responsável pelo bem-estar da sua família.

GENTES: What’s your Project and why do you consider it relevant to the development of microfinance and microcredit?

Julian: The aim of the microfinance and microcredit industry should be to offer their borrowers the best possible service for the lowest possible interest rate. Mambu’s aim is to support microfinance and microcredit organizations in lowering their bureaucratic overhead and operating costs so that they can fully concentrate on spending precious time with their clients and offer credits with affordable interest rates.

O objetivo das microfinanças e da indústria do microcrédito deveria ser oferecer aos mutuários o melhor serviço possível, pela menor taxa de juros possível. O objetivo do Mambu é apoiar as instituições de microcrédito e microfinanças a diminuir a sua carga burocrática e custos operacionais para que possam se concentrar totalmente nos seus clientes, dedicar-lhes o seu tempo e a oferecer-lhes taxas de juro acessíveis.

GENTES: How’s technology important to microfinance management today and how can it contribute to reduce poverty globally?

Julian: Technology helps to streamline microfinance operations, avoid multiple borrowing and monitor portfolio structures. All three help Microfinance Institutions (MFIs) to improve their service and at the same time lower the costs of loans to the poor. Technology also helps MFIs to grow steady and sustainably and ensure that they can give loans to as many poor as possible in order to help them get out of poverty.

A tecnologia ajuda a simplificar as operações das microfinanças, a evitar múltiplos pedidos de empréstimo e a controlar a estrutura do seu portfolio. Estas três ajudam as Instituições de Microfinanças (IMF) a melhorar os seus serviços e ao mesmo tempo diminuir os custos dos empréstimos às pessoas pobres. A tecnologia também ajuda as IMFs a crescer com estabilidade e de uma maneira sustentável, assegurando que aquelas podem oferecer empréstimos a tantas pessoas pobres quanto possível e ajudá-las a sair da pobreza.

GENTES: What benefits does your product bring to the microfinance sector and how can it benefit people?

Julian: Mambu developed an online portfolio management system with integrated, automated accounting and reporting tool. We offer the complete system for free to MFIs with less than 1500 clients in order to help them grow to a sustainable size. Mambu has the simplest user interface ever developed for microfinance software. This ensures that MFI employees independent form their education or experience can navigate easily through the system and manage their clients efficiently. As the system is hosted online, in the “cloud”, the organizations don’t need any hard - or software except for a device with internet access. It also ensures, that the management has access to all relevant data from anywhere at any time while at the same time providing state of the art data security.

O Mambu é um sistema de gerenciamento de portfolio com uma ferramenta de contabilidade e de relatórios integrada. Nós oferecemos o sistema completo gratuitamente a IMFs com menos de 1500 clientes para ajudá-las a crescer até atingirem a sustentabilidade. O Mambu tem a interface mais simples alguma vez desenvolvida em software para microfinanças. Isto assegura que, independentemente da sua educação ou experiência, os funcionários de IMFs possam navegar facilmente pelo sistema e gerenciar os seus clientes com eficiência. Como o sistema está online, na “nuvem”, as organizações não precisam de qualquer hardware ou software além de um qualquer dispositivo com acesso a Internet. Também assegura que a administração tem acesso a todos os dados relevantes a partir de qualquer lugar e a qualquer momento, ao mesmo tempo que oferece segurança de topo aos dados de informação.

GENTES: How do you think Mambu will contribute to the development of Microfinance in Brazil?

Julian: Mambu will help the Brazilian MFIs to optimize their processes from end to end. Credit officers will be able to enter repayments via mobile phones of tablets directly in the field, managers are able to supervise and adjust the actions in real time and investors or networks, no matter where on the planet they are located, can follow the real time data. Mambu is also capable of integrating third party services such as mobile money, ATMs, online banking etc. directly into the database. This enables MFIs to automatize their standardized processes like sending invoices or receipts per text message directly to the borrowers or receiving repayments through a mobile money network which automatically enters the repayment in the portfolio management system, books it in the accounting and adjust the reports in real time. Automating these processes, allows the MFIs’ staff to spend more time educating and training their customers.

O Mambu vai ajudar as IMFs do Brasil a otimizar os seus processos do princípio ao fim. Oficiais de crédito poderão inserir pagamentos via celulares ou tabletes diretamente do terreno, gestores podem supervisionar e ajustar as ações em tempo real e os investidores ou redes sociais podem seguir a informação em tempo real, independentemente de onde estiverem. O Mambu também permite a integração de outros serviços como dinheiro móvel, caixas eletrónicos, banco online e outros, diretamente na base de dados. Isto permite que as IMFs automatizem as suas operações mais comuns, tais como o envio de recibos ou faturas diretamente aos clientes, receber reembolsos através de uma rede de dinheiro móvel que automaticamente insere o pagamento no sistema de gestão de portfolio, registos na contabilidade e ajuste dos relatórios em tempo real. Ao ter estes processos automatizados, os funcionários das IMFs podem passar mais tempo educando e treinando os seus clientes.

GENTES: What interests and business opportunities can Mambu bring to Brazil and why do you believe it will contribute to its social and economic development?

Julian: By supporting the local MFIs in streamlining their organizations, lowering interest rates and creating real time reports, we help them to get more funding and disburse loans more efficiently. This will give millions of poor Brazilians who are not microfinance clients yet and who are eager to change their lives access to credits which they can use to start their own business or improve life in other ways.

Ao apoiar as IMFs locais a simplificar as suas operações, a baixar taxas de juros e a criar relatórios em tempo real, nós ajudamo-las a obter mais fundos e a desembolsar empréstimos mais eficientemente. Isto permitirá que milhões de Brasileiros que ainda não sejam clientes de Microfinanças e que estejam desejosos de mudar as suas vidas, tenham acesso a empréstimos que poderão utilizar para criar o seu próprio negócio ou melhorar as suas vidas de outras formas.

GENTES: What message would you like to leave to Brazilian people, especially those who hope for better life conditions?

Julian: Seguimos o mandato que a bandeira Brasileira nos impõe. Reordenamos e organizamos a gestão dos sistemas informáticos das IMFs Brasileiras para que possamos contribuir para o progresso do País.

Para saber mais sobre a Mambu e seu produto acesse http://www.mambu.com/

Nossos sinceros agradecimentos à  Sra. Sofia Nunes,  que contribuiu com esta entrevista na qualidade de tradutora a quem devemos sempre gratidão por sua generosa colaboração e  grande competência. GENTESMICROFINANÇAS.ORG/BRASIL: Porque acreditamos em pessoas!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Mundo das Microfinanças: Uma série de entrevistas com quem entende do assunto.

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Esta semana, Gente microfinanças, está dando início à publicação de uma série de entrevistas realizadas com agentes importantes no Mundo das Microfinanças, tanto do Brasil quanto de outras nações. O objetivo é unir, num mesmo espaço, as diferentes visões sobre um mesmo aspecto e compartilhá-las, a fim de enriquecer o diálogo entre os diferentes segmentos, instituições e públicos interessados. Neste sentido, damos início com a entrevista feita ao Senhor Tomáš Hes, Executivo da Microfinance a.s e sócio fundador do Projeto Myelen.com, com sede na República Tcheca e com operações no México, Uruguai e, em breve, no Brasil.

Gentes: _Como você avalia o grau de importância do microcrédito no contexto atual e como ele pode contribuir para o desenvolvimento do ser humano?

Tomás: _Microcrédito é simplesmente uma ferramenta do preenchimento do espaço vazio na economia, dominada pelos dogmas bancários. Tem limites em solucionar assuntos importantes, não é uma panaceia, porém cria espaços para que as pessoas tenham mais possibilidades. Mas tem algo transcendental, já que rompe dogmas milenares e permite que inventemos mais estruturas inovadoras ligadas ao microcrédito. Isso tem qualidades de um milagre, digamos.

Gentes: _Por que razão acreditar nisto?

Tomás: _Tenho visto muitos casos de desenvolvimento pessoal da clientela do microcrédito, sobretudo fortalecimento da autoestima daquelas pessoas marginalizadas. Isso é indiscutível. Quem quer e obtém uma oportunidade, faz disso progresso para si mesmo, e assim, para todos.

Gentes: _Qual seu projeto e por que o julga relevante para o desenvolvimento das microfinanças e do microcrédito?

Tomás: _ O nosso projeto permite ligar pessoas das classes médias ao setor de finanças das classes menos abastardas. Diretamente de suas casas, graças à internet. Reforça, portanto, o nosso poder de comunicação entre seres humanos em outros países, em outras classes sócias. O microcrédito vem como uma arma de aceitação e de conscientização de qual a nossa corresponsabilidade com o destino do planeta, atualmente comprometido pelas crises, causadas precisamente por processos decisórios irresponsáveis e intangíveis de distribuição de riqueza, e que ocorre no setor das finanças corporativas, trazendo danos para todos.

Gentes: _Qual a importância da tecnologia na gestão de microfinanças hoje e qual a sua contribuição para redução da pobreza num contexto global?

Tomás: _Creio que a nossa contribuição mais importante é precisamente romper os paradigmas e permitir que pessoas se desenvolvam num processo de reação em cadeia. A tecnologia tem uma grande importância para o segmento de microcrédito uma vez que multiplica a eficiência das operações. Com isto, tem-se significativa redução da taxa de juros, permitindo, portanto, conexões das operações em nível internacional.

Gentes: _Quais as facilidades que seu projeto/produto traz para o segmento de Microfinanças e como ele pode beneficiar pessoas?

Tomás: _Trazemos possibilidade de dinheiro mais barato para as instituições de microcrédito e cooperativas em países onde prevalece o alto preço de capital. Com isso, ajudamos as IMFs na ampliação da oferta de recursos e possibilitando atrair mais clientes. Também trazemos possibilidades de se encontrar novos sócios nas cooperativas locais com entrada de dinheiro, mas sem poder ou influencia sobre elas. Queremos fazer da iniciativa algo mais amplo, elevando o desenvolvimento humano a um patamar que vai além da própria existência, não somente as finanças em si; mas proporcionar efetiva interação entre os diferentes setores da sociedade como a academia e pequenos comércios, entre clientes e investidores, bem como toda a sociedade, por meio desenvolvimento de seus potenciais, utilizando da educação e dos meios disponíveis.

Gentes: _ Em que sentido a myelen julga poder contribuir para o desenvolvimento das Microfinanças no Brasil?

Tomás: _Atualmente estamos na fase inicial de entrada. Não começamos ainda a operar de fato, pois procuramos sócios criativos, trabalhadores e entusiastas para replicar o modelo do myelen que já funciona em países como o México, distribuindo capital de maneira mais equitativa. Temos muito trabalho pela frente, pois myelen se difere de muitos outros projetos de desenvolvimento que existem por ai. Não gostamos somente de falar e de ter representações nas diferentes conferências repetindo sempre as mesmas coisas. O que de fato queremos ver, são resultados quantificáveis e palpáveis.

Também procuramos ampliar a colaboração com as cooperativas, organismos que são atualmente o melhor meio de distribuição de riqueza e bem mais democrático. Contudo, nestes casos, vale ressaltar, usamos princípios sustentáveis de business para garantir a viabilidade das operações.

Em aliança com Gentes Microfinanças, vamos construir um banco de dados científicos que pode atingir importância global, já que não existe em forma estruturada em nenhum lugar e que seja voltado especificamente para as microfinanças. Esta ausência de informações, leva ao setor, uma incrível mistura de definições, repetições e duplicidades de termos. Por exemplo, ninguém sabe medir bem o impacto social, mas todos falam sobre isso. Outro exemplo pertinente: Não sabemos fazer uma definição de microfinanças amplamente aceitável e que convirja para um padrão internacional de termos e definições reconhecidos por todos. Verdadeiramente, temos um trabalho gigantesco na nossa frente.

Gentes: _ Quais os interesses e frentes de negócios a myelen quer trazer para o Brasil e porque acredita contribuir para seu desenvolvimento econômico e social?

Tomás:_ Queremos conectar o Brasil com as outras partes do mundo e com milhares de investidores sociais, a fim de baratear o custo do dinheiro, uma vez que o mesmo, neste país, é grotescamente caro devido à elevada taxa de juros que, de certa forma, também é problema para outros países de América Latina. Quem acaba pagando de fato esse custo são os pobres e não os ricos.

Gentes: _ De que forma pretende realizar estas ações?

Tomás: _Bom, no início precisamos ter sócios locais trabalhadores, honestos, tranquilos, criativos e que acreditem de fato em desenvolvimento sustentável. Esperamos que a colaboração com Gentes auxilie na formação parcerias robustas com diferentes órgãos de interesses comuns. Com estes, vamos dar início à construção de uma plataforma local, conectando cooperativas e IMFs com capital inteligente. Mas temos outras ideais novas que estão sendo desenvolvidas, pois o que de fato nos faltam, são sócios locais.

Gentes: _Por fim, que recado ou mensagem você deseja ao povo brasileiro, especialmente o que almeja melhores condições de vida?

Tomás: _O Brasil tem capital humano de grande qualidade e que está entre os maiores existentes no planeta, falando de inteligência, capacidades e ambição. Com este potencial, o povo brasileiro pode conquistar o futuro. Eu como cidadão global gostaria de acompanhar de perto o desenrolar desse grande país, sua cultura, sua economia, seus valores ao longo desse caminho fascinador, complementando com informação e conhecimento e que já dispomos em outras partes do mundo, edificando uma ponte intercontinental, intercultural e intersocial.

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